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da betobet: Em 2010, quando Douglas saiu do Figueirense, seu último clube no Brasil, para defender o Tokushima Vortis, da Segundona Japonesa, não imaginava que um dia poderia disputar o Mundial de Clubes da FIFA.
Cinco anos se passaram, o atacante chegou ao Sanfrecce Hiroshima (JAP), destacou-se pelos gols e fará nesta quarta-feira, às 8h30 (de Brasília), um dos jogos mais importantes de sua vida. O camisa 9 é uma das principais esperanças do time japonês para tentar bater o River Plate na semifinal do Mundial.
– Se puder chegar na final, como tem a chance de disputar a semi, já está de bom tamanho. Do outro lado, tem Barça e River, então não tem essa pressão de ser campeão. Nosso maior objetivo era ser campeão japonês e agora a gente só quer mostrar nosso estilo de jogo, que tem um time forte no Japão. Jogamos também pela cidade, que foi bombardeada. Somos o time da paz e queremos mostrar isso – afirma Douglas, ao LANCE!, referindo-se aos bombardeamentos sofridos por Hiroshima e Nagasaki durante a II Guerra Mundial.
Artilheiro do Sanfrecce no último campeonato japonês com 21 gols, o atacante ainda não balançou as redes no Mundial. Para tentar bater o River, o time de Douglas derrotou o Auckland City (NZL) e o Mazembe (COG) – sim, o mesmo que eliminou o Internacional em 2010. Agora a pedreira é maior. Ainda mais para Douglas, o único sul-americano na equipe japonesa.
– Eles estavam vendo nosso jogo contra o Mazembe. Vai ser um jogo para o torcedor ver. Meu time vai querer tocar a bola, eles também vão querer jogar. Não vamos lá para deixar a vaga na mão deles. Verás que um filho teu não foge a luta. Não levo muito para o lado da rivalidade. Se a gente ganhar dos argentinos aqui, campeões da Libertadores, vamos entrar para a história. Rivalidade fica com o torcedor, mas lá dentro, se for para dar porrada, vou dividir sem medo – diz o confiante atacante de 27 anos.
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da bet nacional: A tradicional catimba hermana não preocupa o brasileiro, o principal alvo dos zagueiros argentinos para tentar desestabilizar o time. Afinal, Douglas é o único que entenderá as peripécias dos rivais.
– Dentro de campo sou bastante tranquilo, só não gosto de jogo sujo, futebol não é para isso. Se quiserem catimbar e a gente vencer, está ótimo. O que eles mais querem é que um dos nossos seja expulso. Sou muito tranquilo, a gente sabe que o argentino gosta de provocar, entra por um ouvido e sai pelo outro.
Caso o Sanfrecce Hiroshima consiga a classificação histórica para a final do Mundial, o maranhense tem certeza de como não vai comemorar: comendo comida japonesa.
– Eu não como sushi, sashimi, temaki. É tudo cru. Fui num restaurante aqui, quando cheguei no Japão, comi um sushi e na mesma hora eu botei para fora. Estou acostumado com comida preparada no fogo. Consegui comer um, comi o segundo e comecei a vomitar. Esposa já embrulhou também. Aqui não dá – conta o brasileiro, que garante se virar bem no japonês.
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Douglas pode não ser muito conhecido no Brasil. Ele começou a carreira no Moto Club, do Maranhão, passou por Madureira, até chegar no Figueirense. Em Santa Catarina, não teve oportunidades para jogar. Foi então que o Tokushima Vortis veio busca-lo no Brasil.
– O time da segunda divisão, do qual tenho contrato ainda (o brasileiro está emprestado ao Sanfrecce), enviou uma proposta. Vim para cá tentar jogar, aparecer. O mercado abriu para mim. Fiquei quatro anos no Tokushima. Conseguimos subir para a primeira divisão em 2013 – conta o atacante de 27 anos.
A adaptação, garante Douglas, não foi difícil. A família já está acostumada ao país, inclusive o atacante diz que sua filha fala melhor japonês do que ele próprio. O impacto da cultura diferente assustou o brasileiro, que tinha 22 anos quando chegou ao Japão. Mas hoje já sabe onde encontrar carne e feijão em Hiroshima – assim pode se livrar da temida comida japonesa.
– Eu ligo no mercado e os caras mandam tudo o que eu quero pelo correio. Tem até churrascaria aqui. É um país muito tranquilo, bom de se viver. Ainda bem que não tem terremoto todo dia. Já peguei dois, não balançou muito e duraram 10, 15 segundinhos. É difícil quando chega, mas vai se adaptando e acaba ficando. Não quero voltar ao Brasil, é muito gostoso viver aqui.
Por ser o único sul-americano do atual elenco do Sanfrecce, o brasileiro afirma que precisa saber japonês para ter um bom convívio com os companheiros de time e até melhorar o entrosamento em campo.
– Se me deixar sozinho, chego em qualquer lugar, me viro. Já estou há muito tempo. Dei importância em aprender um pouco para se comunicar, adaptar legal e não ter dificuldade. Gosto de brincar, de me enturmar. Passo cinco anos aqui, não aprendo a língua deles, parece que vim para cá e não me interessei. Fui aprendendo por curiosidade.
Apesar de ter um tradutor, Douglas gosta da resenha com os japoneses, apesar de não conseguir entender tudo o que eles falam – e até causar risada nos gringos quando erra algo da língua local. O brasileiro, por ser evangélico, não só não gosta quando começam a falar palavrão em português.
– Eu sempre erro. Não gosto muito de falar porque sempre erro alguma coisa. Os caras dão risada de mim. Só de estar se esforçando, eles ficam felizes. Os caras aqui já jogaram com muitos brasileiros. Eles sabem os palavrões do Brasil e falam bastantes palavrões em português. Eu viro e digo para eles: “Pô, estão falando besteira”.
Em 6 de agosto de 1945, no fim da II Guerra Mundial, foi lançada uma bomba nuclear em Hiroshima que devastou a cidade japonesa onde Douglas vive atualmente. Da destruição, que completou 75 anos em 2015, restou apenas o museu que relembra a tragédia, ainda não visitado pelo brasileiro.
– Não entrei no museu, porque tinha muita gente, era o dia em que estava tendo as cerimônias dos 75 anos. Cheguei a ir onde todo mundo bate foto, que é famoso, a parte que foi restaurada para mostrar como ficou, tipo um teatro. Esse lugar é bem do lado do rio, onde as pessoas se jogavam, porque ficou mais de 300 graus a temperatura. Eles querem que isso não aconteça mais. Muita gente sofreu. Não sinto que há medo na rua. As pessoas, hoje, vivem com normalidade. É uma cidade que quer paz – completa Douglas.
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